Entrevista (æ)!

The New Barks Time - Jornal Digital

Pesquisando no YouTube o Jornal encontrou uma entrevista dos criadores do Absolutus Empire feita para uma das filiadas da TV GLOBO:

aetube - aetube

C.George - C.George
Hoje colocaremos para vocês as respostas de nossa entrevista para o jornal Folha de São Paulo para acabar com uma polêmica gerada pela mesma, pois por falta de espaço talvez, o meu comentário sobre o futuro dos quadrinhos acabou saindo de um jeito que pareceu que o futuro deles seria sua própria extinção. Como!? Logo eu, fã absoluto de quadrinhos, imagina. A extinção seria a de ser impressa no papel. Nisso eu sou realmente radical. Alguns não concordarão comigo (a maioria), mas não tem volta, veja um exemplo: “Eu nunca vou trocar a minha coleção de LPS por essas tais Fitas Cassetes”; ” Eu nunca vou trocar a minha coleção de Fitas Cassetes por esses tais CDs”; ” Eu nunca vou trocar a minha coleção de CDs por esses tais MP3″; ” Eu nunca vou…, e vai por (æ)!
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-Quem são os criadores da revista “Absolutus Empire”?

Balao EM - Balao EM
E. Martins
Nome Verdadeiro: Elias Paulo Martins
Ocupação: Desenhista e Argumentista da Editora “ae comics entertainment”
Local de Nascimento: Boituva-SP
Data de Nascimento: 25 de Janeiro de 1978
Site na internet: www.aecomics.com.br
Trabalha com Quadrinhos Digitais: Desde 2000.
Primeira Aparição nos Quadrinhos: Absolutus Empire 01 em Janeiro de 2005.
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C.George - C.George
C. George
Nome Verdadeiro: Cláudio George Vivian
Ocupação: Roteirista e Argumentista da Editora “ae comics entertainment”
Local de Nascimento: Campinas-SP
Data de Nascimento: 21 de Janeiro 1972
Site na internet: www.aecomics.com.br
Trabalha com Quadrinhos Digitais: Desde 2000.
Primeira Aparição nos Quadrinhos: Absolutus Empire 01 em Janeiro de 2005.
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- Vocês são responsáveis por todos os quadrinhos do site? Podem me explicar um pouco como funciona o processo de criação de vocês de HQs para a internet? O processo é diferente de criar no papel? Como?

Balao EM - Balao EM
Sim, todas as historias presentes no site foram criadas, escritas e produzidas por nós (Eu e o C.George). Bem, tudo começa com um conjunto de idéias, um argumento pra aquela determinada edição da revista. Após termos um roteiro bem consistente é que então começo elaborar os layouts das paginas. As vezes quando tem um trecho que o C.George já imaginou a cena então ele mesmo faz o layout e na hora de desenhar procuro seguir conforme era a idéia original dele e vice versa. No processo dos desenhos nós procuramos desde o inicio utilizar do processo convencional na produção de nossa Webcomic. Quando começamos a planejar o site ae comics bem como a nossa Web comic Absolutus Empire tínhamos um leque imenso de possibilidades que poderíamos utilizar na produção de nossa HQ. Havia diversos formatos que poderíamos criar e inúmeros tipos de traços que poderíamos adaptar como desenhar direto no Computador por exemplo. Mas não queríamos deixar de lado o formato padrão de produção e por isso resolvemos mesclar o formato de produção convencional com a tecnologia e a interatividade que a internet vinha a nos oferecer. O processo é assim, primeiro desenho as paginas na mão mesmo, utilizando os lápis e tintas nankin convencionais e depois após escanear as paginas vem a etapa da colorização que é feito no computador com o auxilio de uma mesa digitalizadora. Após a colorização é que acontece a transformação de nossa HQ para uma HQ Digital. Nós utilizamos um software de animação onde é feita as etapas de letreiramento, os balões redimensionáveis, e as animações e sons que é inserido conforme estava especificado na idéia original do script. Após todo o processo é que publicamos no site. Webmaster (que desenvolve o formato das páginas no site), flasher (aquele que trabalha com animações em flash).
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- Além de ter facilitado o processo de publicação e distribuição, em que outras frentes a internet modificou a produção de HQs?

C.George - C.George
Hoje já se pode trabalhar sem o papel, lápis e nanquim. Certamente isso influencia no custo e benefícios da produção, pois os quadrinhos digitais interativos são, a meu ver, uma boa surpresa, já que não apenas economiza dinheiro para os criadores (com a criação de HQs a partir de ferramentas digitais) e mantendo uma interface muito próxima das HQs impressas mas com a vantagem de agregar recursos áudios visuais, mas por alcançar uma audiência direta e precisa sem necessitar dos canais comuns de distribuição e de revenda (difusão digital). E na própria edição de uma HQ impressa à internet assumiu como uma ferramenta de um centro de distribuição de vários artistas com sua editora, hoje o desenhista pode morar no Brasil, o escritor na Escócia, o arte finalista no Japão e a gráfica na África. E os próprios desenhistas famosos acabaram além de montar o seu portfólio online, construindo suas próprias historias que talvez nem aparecessem na editora que trabalham. E a internet vai além de conectar pessoas e de ser apenas outro meio de divulgar novos projetos. Nela nascem novas experiências, mais ricas do que escanear o seu desenho e mandá-lo para um blog. Vários artistas estão conseguindo, já saindo das limitações do papel, criar novos e até ousados formatos diferentes de leitura, promovendo assim uma válida mutação de linguagem.
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Balao EM - Balao EM
Uma das características mais empolgante certamente é a interatividade. E o que mudou na criação desses quadrinhos foi o acarretamento de mais etapas de produção trazendo para ela outros tipos de profissionais, como citado anteriormente
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- Quais são as principais diferenças entre HQ impressa e as feitas para a internet?

C.George - C.George
Em relação a nossa Digital Interactive Comics, (Dic) podemos fazer referência a alguns aspectos tais como:

a) Em determinados quadrinhos, substituímos a onomatopéia pelo próprio som de uma cena, tipo um tiro, carro derrapando, jato voando, uma explosão, etc.

b) Em outros quadrinhos criamos animações baseadas nos traços do desenhista como um carro sendo arremessado, o dia passando para a noite, um pássaro voando.

c) Utilizamos melhor o espaço no formato widescreen dos monitores que já é uma tendência na elaboração dos balões, que aumentam de tamanho e somem durante as animações deixando as páginas mais limpas. Traduções no exato momento da leitura das palavras em latim utilizada pelos personagens (uma homenagem à nossa língua portuguesa, a qual, afinal descende do latim).

d) Trabalhamos com várias cenas em perspectiva criando assim uma sensação de espaço e profundidade.

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Balao EM - Balao EM
e) Mobilidade? Não posso ler minha revista preferida no banheiro ou na varanda? No momento ainda não, mas já estão sendo criados os papéis digitais, celulares com visores maiores, portáteis com hds melhores e menores. Sem falar do deslocamento físico desnecessário até o ponto de venda para comprar uma de nossas edições, a venda também é feita pela internet.

f) Distribuição. No exato momento que lançamos uma edição, não somente os leitores de nossa cidade, nosso estado, nosso país, tem a oportunidade de acessar nossa revista como temos outros países que falam a língua portuguesa, sem falar dos brasileiros que moram no exterior. Uma mesma edição do Absolutus Empire pode ser vista ao mesmo tempo aqui no Brasil e no Japão. E a globalização se completará quando lançarmos edições nos idiomas Inglês e Espanhol.

g) Sem falar da Interatividade que conseguimos com os leitores através de chats, fórum, perfis dos criadores em várias comunidades nacionais e internacionais, fatos e novidades no blog da própria editora, emails, é a internet aproximando as pessoas. Possibilidade de correções de erros em algumas edições logo que o leitor nos comunicar, coisa que numa revista impressa isso seria impossível de se resolver numa mesma edição, no mais um aviso de correção numa edição posterior. Não esquecendo que para o leitor ter tudo isso acima citado ele tem que interagir tanto com as paginas tanto com o nosso site.
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- Você pode citar alguns exemplos de quadrinistas (além de vocês) que produzam somente para a internet no Brasil e no mundo? Eles podem ser considerados tão -ou talvez até mais- pop do que os das versões impressas?

C.George - C.George
Com certeza e não são poucas, vamos lá:

A Editora Top Shelf do excelente Lost Girls, Do Inferno e dos futuros volumes de A Liga Extraordinária (todas de Alan Moore), contém o site de webcomics, o Top Shelf 2.0.

A Editora DC Comics de Superman e Batman tem o Zudacomics, onde o cartunista brasileiro Francisco Alexandre de Freitas Alves publicou The Passenger, conhecido como Falex criador da webcomics “O Rato do Prédio”

A Editora Marvel Comics de Homem Aranha e Capitão América têm o Marvel Digital Comics Unlimited com acervo de diversas de suas publicaçoes impressas e recoloridas digitalmente para sua exibição pela internet, sendo algumas edições gratuitas e as outras fechadas em um pacote de assinatura mensal ou anual.

Brigada Ônix” de Victor Hugo Carballo.

Comborangers” de Fabio Yabu. Sua mais conhecida série de webcomics publicada primeiro na web através do Universo Online, e que em 2001, virou revista em quadrinhos, publicadas pelas editoras JBC e Panini.

Moving Pictures” de Stuart e Kathryn Immonen onde a editora, Top Shelf publicará em 2009 a sua webcomic. Stuart Immonen para quem não o conhecem, foi desenhista de Nextwave e Ultimate X-Men, e está atualmente desenhando Ultimate Spider-Man. Kathryn Immonen fez os roteiros de Patsy Walker - Hellcat.

HQnado” de Alessandro Scrignolli e Marcos Gratão.

Várias webcomics dos artistas e escritores que formam o grupo The Chemistry Set.

Da série televisiva Heroes da NBC surge entre uma temporada e outra uma coleção de webcomics com todos os personagens da série, sendo que algumas delas já saíram impressas aqui no Brasil.

The Right Number” a que eu mais gosto pela elaboração de gráficos em três dimensões, onde o autor abandonou definitivamente a base papel e adotou a tela do computador, o mouse, as canetas digitais e os softwares gráficos como seus novos instrumentos de trabalho. Falo do não menos famoso artista e teórico dos quadrinhos Scott McCloud. Por seu trabalho com livros sobre quadrinhos, se tornou um colecionador de prêmios Eisner e Harvey, os dois mais importantes do mercado norte-americano. No Brasil, também já ganhou um HQ Mix, de Melhor Livro Teórico, em 1995. Sendo que um dele é justamente sobre os quadrinhos e sua distribuição na internet. Suas obras foram traduzidas para 14 idiomas de quadrinhos com três livros publicados no Brasil.

Argon Zark”, de Charley Parker, entre muitos.

Exploradores do Desconhecido” uma tira de ficção-científica, escrita por Gian Danton e desenhada por Jean Okada.

Não se esquecendo da nossa revista “Absolutus Empire” de C.George e E. Martins: Trata-se de uma HQ destinada especificamente para os leitores, que já nasceram nesta geração de crianças, adolescentes e também adultos, que tem outros hábitos de leitura, e já se acostumou a acessar conteúdo online, incluindo quadrinhos, sob a forma digital. O projeto que foi idealizado para a internet, tem todas as páginas produzidas em modo tradicional e finalizado no formato Flash, em widescreen (na horizontal) tornando assim mais agradável para a leitura na tela do monitor, para levar até você um trabalho prático e com ótimos recursos de navegação, visualização, leitura e principalmente interatividade.
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- Há algum prêmio para quadrinhos da internet (sei que foram incluídos no Eisner de 2005, mas há algum específico?)?

Balao EM - Balao EM
O prêmio “Best Online Comics Work” da Harvey Award desde 2005;

O prêmio “Best Digital Comic” da Eisner Awards desde 2005, onde em 2008 o brasileiro Fabio Moon (desenhos) ganhou pela HQ online Sugarshock! (escrita por Joss Whedon para a Dark Horse Presents);

O prêmio “Web Quadrinhos” do HQMIX (Brasil) desde 2008, antes como “Site de quadrinhos”;

E quem sabe em breve no Prêmio Ângelo Agostini. (Brasil)
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- E para finalizar, qual a sua opinião sobre os rumos da HQ na internet?

C.George - C.George
Sou radical nesse assunto. A questão de como se adaptarão à Internet, em minha opinião, decidirá a função dos quadrinhos (e até sua própria existência) na próxima década. O digital está aí (æ)! E pode ser usado tanto para o bem ou para o mal (os rolos dos filmes fotográficos, as fitas cassetes, os discos de vinil e o CDS que o digam). Pois é inegável que seus elementos característicos (a narrativa visual, os balões e o grafismo sintético, as cores e principalmente a interatividade) produzidos por um computador valorizam os desenhos e acrescentam ainda mais dinamismo às seqüências de uma história em quadrinhos. Sem falar nos papéis digitais. Creio eu ainda, que o leitor no futuro (não muito distante), por conta da própria linguagem eletrônica, e por se sentirem mais próximo dos protagonistas das histórias (como dito anteriormente) se tornarão cúmplices dos autores e criarão um produto em conjunto (Muitas cabeças pensam melhores do que uma). Mas tudo isso vai depender da demanda do mercado editorial digital. Pois infelizmente não é todo mundo que está conectado com o mundo virtual (digital), a maioria ainda mal tem caderno para ir à escola, e o que dizer de micro computadores.
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Balao EM - Balao EM
Acho que os quadrinhos digitais irão ganhar o seu espaço de acordo como as editoras forem abrindo espaço para eles. São inevitáveis, os quadrinhos irão aos celulares e haverá inúmeras formas de se fazer e ler quadrinhos. Haverá formas diferentes de navegar entre um quadro e outro. Bem como os tipos diferentes de se contar uma historia tambem. Como diziam os franceses em 1422: “Le Roi Est Mort, Vive Le Roi!” hoje eu digo: “Os Quadrinhos Morreram, vida longa aos Quadrinhos”
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The New Barks Time - Jornal Digital

Entrevista cedida ao nosso Jornal em 10 de Março de 2006 com os criadores da mais nova Editora On Line do Brasil, a (æ)! comics entertainment:

Quando você leu sua primeira HQ?

C.George - C.George
Acho que foi em 1981, se não me engano. Uma revista Cebolinha de Nº. 100, aquela que vinha com um cupom para abrir uma conta bancária. O Banco faliu faz tempo e minha conta também (risos). Mas antes de aprender a ler, eu já tinha contato com quadrinhos. Meus primos eram colecionadores. Foram eles que primeiro atiçaram o meu gosto pela leitura.
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E.Martins - E.Martins
A primeira revista que eu li foi uma do Fantasma, (de uniforme vermelho, formatinho) mas não me lembro o número. Entre as primeiras que eu li estão, Tio Patinhas, Ducktales, Bolinha e Fantasma (Que eram de meu tio) entre outras. Um lance interessante que me aconteceu, foi sobre uma revista que eu havia lido quando tinha uns dez anos de idade. Sabia que era no estilo heróis Marvel/DC, mas não sabia qual titulo era. Gostei muito da revista. E há uns anos atrás quando C.George me emprestou o Camelot 3000, percebi então que a edição era a mesma que eu tinha lido quando criança. E ela continua atualíssima.
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Quando foi que vocês decidiram fazer suas próprias histórias em quadrinhos?

C.George - C.George
Comecei a tentar a desenhar uma hq logo que terminei um curso de desenhos (1987). E já me achava um perfeito Byrne, escrevi um roteiro e fiz os desenhos copiando de várias revistas que eu tinha do Homem Aranha. Estava tentando mudar a vida desse personagem, pois na história ele revelava a sua identidade para o J.J.Jameson, o qual a surpresa, ele o trata como um filho. Depois, briga e dá um final definitivo no doutor Octopus, arrancando os seus braços definitivamente. Logo mais a frente, Jameson manda Peter cobrir uma destruição de uma cidade causada pelo Incrível Hulk, próximo ao uma usina nuclear, duelam e acabam explodindo um reator atômico, o que lhes causaram a perda de seus poderes. Não bastando tudo isso, ao chegar em casa, Peter encontra a tia May a beira da morte. E antes de falecer pede que ele continue a sua vida de herói, pois sempre teve muito orgulho do segredo de seu sobrinho. Sem poderes mas com uma mente brilhante, o nosso cientista prepara ele mesmo, um experimento no qual se transforma no novo Homem Aranha. Com uniforme novo e tudo. Mas era uma hq muito (mais muito) ingênua, engraçada talvez, feitas em folhas de sulfite com lápis e contornado com caneta esferográfica preta e com uma capa feita com cartolina amarela. Mas eu a perdi no meu local de trabalho. Acho que minha motivação era naquele tempo, passar para o papel a diversão que também sentia ao ler essas histórias, eram divertidas. Mas como aqui se faz aqui se paga, o ano 2000 me trouxe de volta a esse mundo magnífico e de uma forma que eu jamais poderia imaginar: produzindo Hqs digitais e interativas como roteirista. Sempre quis ser desenhista, mas me descobri como escritor. Espero que dê certo.
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E.Martins - E.Martins
Eu sempre desenhei, mas a cada hora ficava desenhando alguma coisa em especifico. Lembro que já desenhava antes mesmo de entrar na escola, aos sete anos. Quando estava com uns 14 anos de idade , o C.George entrou na mesma empresa em que eu trabalhava (é, eu comecei a trabalhar aos 13). Um dia ele me mostrou essa mesma revista que havia feito. Eu a li, e aquilo me motivou a fazer uma HQ também. Só que fiz uma do Justiceiro, por que na época era o meu personagem preferido. Bolei uma trama e já comecei a desenhá-la. E então ao achar que trama estava muito simples, comecei a inserir uns vilões que até então não existiam. Aí a revista começou a ficar comprida e o C.George me cobrando para lê-la. Os desenhos foram ficando cada vez piores, e quando terminei a revista, a coisa tava complicada. Tenho-a até hoje, guardada. Depois fiz uma historinha da Turma da Mônica também. Essa dá até pra ler. Quando comecei a trabalhar no mesmo setor que o C.George, era o ano de 2000, e a internet estava começando a mostrar a que veio. Depois de conversarmos e de fazermos uma rápida pesquisa na internet (para certificar que havia pouco material disponível de boa qualidade para leitura) resolvemos então montar um site com uma HQ on line. E deu no que deu.
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Quais os escritores/desenhistas prediletos?

C.George - C.George
Recentemente tenho gostado muito do trabalho do Brian Michael Bendis, Brad Meltzer e Jeph Loeb (escritores), os irmãos Kubert, David Finch(desenhos), Danny Miki (nanquim), mas com os meus preferidos de longa data, como Miller, Morrison, os Jonhs Buscema e Byrne, Romita Sênior e Jr., Alex Ross e George Perez. E o rei Dikto.
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E.Martins - E.Martins
Há muitos bons escritores e desenhistas. Tenho gostado do trabalho do Strawzisky no Poder Supremo, assim como o do Brian Michael Bendis, Mike Millar, e o Kevin Smith. Nos desenhos, o David Finch, Joe Quesada, e o Richard Isanove e o Steve Oliff nas cores. E a lista do C.George, acrescentado de Moore e Gaiman. Ah, e quase ia me esquecendo: Katsuriro Otomo, por Akira.
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Você ainda lê esse tipo de quadrinhos? O que você anda lendo ultimamente?

C.George - C.George
Sim e muitos como, Watchmen, Akira, Homem-Aranha, Vingadores, Batman, Superman, Marvels, a linha Ultimate, Demolidor, Lobo Solitário, Mônica, Cebolinha e Disney de Carl Barks…Por essa você não esperava, não é? Normalmente quando perguntam aos roteiristas/desenhistas principalmente os nacionais se estão lendo algum tipo de quadrinhos, a maioria fala que no momento não estão acompanhado nenhuma história. É como se o padeiro não gostasse mais de pão, o cervejeiro não tomasse mais cerveja. Produzo quadrinhos porque gosto de “ler” quadrinhos. Nem que seje no banheiro. (Risos)
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E.Martins - E.Martins
Dos Clássicos ainda faltam alguns. Ultimamente li a identidade de Superman, o Poder Supremo, tenho lido alguns Ultimates e o WE3 do Morrison e Quitely.
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Voltando um pouco, qual era seu personagem favorito?

C.George - C.George
Homem Aranha, Superman e hoje Auricomus.
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E.Martins - E.Martins
Wolverine, Spawn e hoje Argenteus & Auricomus.
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Os Quadrinhos e a Internet

Como é publicar hq’s nacionais?

C.George - C.George
Gratificante. Produzir em seu próprio país, e ver ali seu material, é muito legal. Claro que não é fácil, mas pode-se dizer que tem sido a concretização de um sonho. E é o que sempre digo: “O que é preciso para realizar os seus sonhos? Sonhar”.
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E.Martins - E.Martins
Na questão de abrangência, publicar na internet é ainda melhor. Você tem a oportunidade de estar mostrando o seu trabalho a brasileiros que vivem em qualquer lugar do mundo. Alguns amigos nossos que vivem fora do país já acessaram o nosso trabalho e isso acaba estabelecendo um contato muito maior entre nós e nossos leitores não importando onde eles estejam. Além da internet, nenhum outro meio consegue isso.
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Quais elementos vocês incluíram nesta Digital Interactive Comics, que difere de uma HQ impressa vendida em banca?

E.Martins - E.Martins
Existem diversos itens que podemos citar, mas com toda certeza, a interatividade é o principal deles. Com a interatividade o leitor poderá ver quadrinhos inanimados ganhar movimento e efeitos sonoros com um simples passar do cursor do mouse sobre o mesmo. E a interatividade vai mais além. Pela internet o contato leitor/criador e criador/leitor será mais próximo e direto do que em uma HQ impressa. O leitor poderá detectar um erro na edição ou em alguma das páginas e notificar o criador da história que em questão de minutos corrigirá o erro, e isso é algo que não temos no meio impresso, pois uma vez editada e impressa, a revista só poderá ser corrigida por nota através da edição seguinte. Há outros detalhes importantes que tornam a edição para web, uma revista com atributos próprios e que poderão despertar mais o interesse do leitor. Vamos supor que o leitor venha a começar a ler a revista a partir de um determinado número. Logicamente ele irá querer ver a história desde o começo. Com a internet ele não precisará procurar pela revista em sebos ou livrarias. Simplesmente as edições anteriores estarão lá. Uma outra opção para o leitor, que apesar de não parecer muito importante, será a visualização das páginas sem a presença dos balões, no momento da animação (interatividade). Uma página poderá ser vista sem balões ou recordatórios. Outro item que qualquer fã de quadrinhos que se preze irá adorar, serão os extras. Eu particularmente acho muito interessante quando vou ler uma revista, e no final há algumas páginas dedicadas aos rascunhos, ao roteiro, trechos do argumento, páginas sem arte final, esboços, etc. Com a internet você poderá disponibilizar um número muito maior de extras do que em uma revista impressa. A editora já está idealizando uma sessão chamada “Making Off”, onde irá colocar uma grande quantidade de extras acumulados nesses quase seis anos. Há muita coisa…
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C.George - C.George
Outra coisa que resolvemos colocar nas histórias foi à tradução no exato momento da leitura das palavras em latim utilizada pelos personagens (uma homenagem à nossa língua portuguesa, a qual, afinal descende do latim). Também colocaremos em breve uma sessão do tipo “galeria do leitor” e outra “cartas do leitor”.
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Por que vocês resolveram persistir em lançar uma HQ digital na WEB mesmo tendo conhecimento que grandes empresas do ramo não fizeram o mesmo nos quadrinhos?

C.George - C.George
Porque ainda não somos uma grande empresa. Ainda (sussurrando). Os quadrinhos digitais interativos são, a meu ver, uma bela surpresa, já que não apenas economiza dinheiro para os criadores (com a criação de HQs a partir de ferramentas digitais), mas por alcançar uma audiência direta e precisa sem necessitar dos canais de distribuição e de revenda (difusão digital). Quanto mais pessoas perceberem que grandes histórias existem na rede, mais elas terão vontade de pagar por elas. Mesmo sendo uma mídia muito jovem, já existe uma geração que não se importa pelo conteúdo ser digital (minha filha de cinco anos que o diga). O respeitável (Scott) McCloud acredita também que a Internet criará uma mudança profunda no modo como pensamos a HQ. Quando começamos, percebemos que a internet mudaria a indústria de quadrinhos como mudou indústria fonográfica e a cinematográfica. Mas o que vimos foi à propagação digital da mesma, onde boa parte dela não passa da reprodução do formato de páginas escaneadas das revistas produzidas e/ou vendidas em banca. Até o formato delas não mudou (vertical), o que é absolutamente inexplicável, tendo em vista o formato do monitor (widescreen). Então percebemos que se a linguagem das HQs não mudava, só teríamos uma saída: se reinventar. Por isso estamos “reinventando quadrinhos”.
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E.Martins - E.Martins
A internet tem muito a oferecer. Existem inúmeros atributos que valorizam uma HQ Digital na web. O principal problema é utilizar desses atributos sem excessos, de forma equilibrada. E também, nada adianta você utilizar todos esses atributos e esquecer que o principal item de uma HQ é a história que você tem pra contar. Quanto as grandes empresas do ramo das HQs, elas são conhecidas pelas publicações impressas. E nesse tempo até colocaram o material convencional para serem visualizados na Web. Ao meu ver os muitos recursos que a internet oferece não foi utilizado ainda como devia. Nem nós utilizamos todos os componentes disponíveis devido a uma limitação que ainda faz frente aos avanços da internet; o peso dos arquivos. Mas é algo que já está sendo resolvido. Os usuários de banda larga aumentam em um ritmo assustador, principalmente no Brasil. Quando nós começamos a idealizar o Absolutus Empire, não queríamos criar apenas uma nova visão que funcionasse para uma HQ on line. Queríamos que a história tivesse profundidade e que o leitor, ao ler as primeiras edições percebesse o que há em oculto alem das animações, desenhos e cores. Queríamos que ele pensasse e refletisse sobre o conteúdo em si. O que fizemos foi concentrar em desenvolver uma história pra Web sem sair muito do padrão clássico do que vem a ser uma HQ. Por isso que na produção de nossa HQ nós mantivemos os processos como lápis e nanquim mesclados as etapas elaboradas no computador. E a nossa empresa é voltada para a publicação de quadrinhos interativos na Web. Quem quiser conhecer nosso trabalho terá que acessa-los através da internet. Não importando onde o leitor esteja, se ele estiver conectado, ele está pronto para começar a conhecer o universo do Absolutus Empire. Se irão aprovar, só o tempo dirá.
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Evidentemente, vocês devem conhecer pontos que deixam uma webcomic em desvantagem em relação a uma HQ impressa. Vocês poderiam me indicar alguns?

C.George - C.George
Ninguém consegue levar o monitor para o banheiro (risos). Não conseguia, pois os notebooks e os palmtops já estão aí. Com as grandes empresas investindo em tecnologias, logo teremos um tipo de monitor com bateria minúscula e do tamanho e espessura de uma cartolina. Já existem os ebooks para leitura de livros.
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E.Martins - E.Martins
Com certeza, existem sim pontos de desvantagens entre os dois formatos. Mas quem irá observar as diferenças e conseqüentemente seus pontos negativos são os próprios leitores. Por isso que é fundamental uma Digital Web Comic utilizar-se de todos os componentes possíveis que a Web tem a oferecer a fim de compensar os pontos negativos em relação a edição impressa. Um ponto negativo pode ser pra quem ainda tem internet discada. Esperar as páginas carregar não é fácil. Mas quem já não esperou por horas o download de um trailer só pra ver um pequeno trecho do novo filme que está sendo comentado na Web. Quantas vezes você não esperou uma revista chegar na sua cidade e acabou descobrindo que ela já está defasada ou até mesmo que não virá por culpa da distribuição. Se valer a pena a espera não há problema algum. Com a internet quando colocarmos tal número de uma edição, automaticamente todo o país poderá acessá-la ao mesmo tempo. Futuramente poderemos colocar nossas edições em mídias como o cd-rom, pen drive, onde além das histórias, poderíamos colocar trailers, músicas e jogos relativos aos personagens.
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Vocês acham que uma revista digital substituirá definitivamente uma revista impressa?

C.George - C.George
Sou um radical nesse assunto. A questão de como se adaptarão à Internet, em minha opinião, decidirá a função dos quadrinhos (e até sua própria existência) na próxima década. O digital está aí e pode ser usado para o bem ou para o mal (os rolos dos filmes, as fitas cassetes, os discos de vinil que o digam). Pois é inegável que seus elementos característicos (a narrativa visual, os balões e o grafismo sintético, as cores e a interatividade) produzidos por computador valorizam os desenhos e acrescentam dinamismo às seqüências. Ainda creio eu, que o leitor, por conta da linguagem eletrônica, se sente mais próximo dos protagonistas das histórias do que quando eles estão apenas no meio impresso. Os digitais comics criam um usuário mais participativo, pois pode interagir com os personagens e os autores das histórias de forma mais direta.
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E.Martins - E.Martins
O papel está aí não é de hoje. Mas com certeza essa mudança ocorrerá. Há pouco tempo atrás víamos os CDs de áudio como uma inovação. E agora chegam os Ipods que tocam simplesmente milhares de músicas em aparelhos que regulam menos que a metade de um estojo de CD.
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Para um autêntico leitor de HQ não soa estranho saltar de uma HQ impressa para um Digital Comics?

C.George - C.George
Para um autêntico fotógrafo não soa estranho saltar de uma câmera analógica para uma digital? Neste meio tempo, a AgfaPhoto pediu concordata, a Kodak parou de fabricar papel fotográfico para ampliação de preto-e-branco, a Nikon anunciou que encerrará a fabricação de câmeras de película com exceção de dois modelos de ponta, profissionais. E isso em menos de cinco anos. Levantamento recente nos EUA aponta que metade dos seus usuários de internet (cerca de 34 milhões) já assistem filmes e vídeos on-line.
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E.Martins - E.Martins
Quem gosta de quadrinhos quer conhecer novos trabalhos, não importando o formato da mídia.. No caso do Absolutus Empire, a revista foi feita única e exclusivamente para Web. Não se trata apenas de uma revista digitalizada. Tem animação, efeitos sonoros, etc. Um autêntico leitor de HQ e que tem acesso a Web poderá ler uma ou duas edições do (æ) (os dois primeiros números que são gratuitos) on line só para analisar. Com o tempo os quadrinhos digitais irão ganhar cada vez mais o seu espaço.
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Na opinião de vocês, por que os quadrinhos para internet não decola? Hoje há inúmeros trabalhos espalhados na internet, e poucos conseguiram ganhar popularidade? Qual a principal causa do não sucesso dos quadrinhos na Web?

E.Martins - E.Martins
Uma revista impressa sempre envolveu uma boa quantia em dinheiro. O que significa que para uma HQ chegasse ao leitor, uma revistaria ou uma banca de revistas, houve custos para que o projeto fosse viabilizado, planejamento para que não fosse um dinheiro perdido. Passa então para o leitor a seriedade, e profissionais envolvidos para que aquela revista fosse impressa. Logicamente que nem sempre isso significa que seja uma boa história para ser lida. Já na internet, qualquer pessoa que tenha um computador, conexão com a web, e um scanner, poderá fazer uns desenhos, digitaliza-los e colocar no ar. É algo muito mais acessível, e isso resulta em uma quantidade muito maior de trabalhos amadores, de qualidade discutível, as vezes, até é impossível de ser lido. O que acaba passando a impressão que quadrinhos para Web não tem futuro. E com isso acabaram adquirindo um rótulo de trabalho amador. Geralmente trabalho amador é visto como coisa de má qualidade, o que é um erro.
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C.George - C.George
Planejamento. Quero dizer a falta dele. Como o E. Martins falou, qualquer um pode ter o seu trabalho divulgado na web. Mas conheço vários site de quadrinhos, que começam bem e acabam no marasmo. Colocam uma página por mês, e no terceiro já estão vendendo camisetas de seus personagens. Cadê a credibilidade?
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(æ)! comics, uma nova editora on line.

A (æ)! comics como uma editora on line, pretende lançar outros projetos além do Absolutus Empire? Abrirão espaço para outros artistas, ao invés de publicarem material só de vocês?

C.George - C.George
Sim, mas primeiramente, atenção total para o nosso trabalho.
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E.Martins - E.Martins
Inicialmente tudo irá depender dos resultados que o (æ) (Absolutus Empire) apresentará. Teremos também uma segunda linha de revista que será um grande título. Uma série que correrá em paralelo ao (æ). Não será uma revista com ligações diretas, pois é importante que esta revista tenha uma identidade própria por dois motivos: primeiro para que o leitor não se sinta forçado a ler dois títulos para entender o que está havendo; e em segundo, para que a revista não venha a depender do (æ) para se sustentar. Não queremos lançar títulos a torto e a direito sem ao menos ter a consciência que o projeto é realmente interessante. Um leitor de quadrinhos logo perceberá se uma editora está lançando títulos sem nenhuma profundidade criativa, aproveitando-se apenas da euforia por um determinado título. Uma vez que perceber isso, deixará de acompanhá-la.
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Se todo o Absolutus Empire foi projetado em Widescreen (formato horizontal para facilitar a leitura em um monitor), por que vocês resolveram manter as capas das edições em formato vertical?

C.George - C.George
Não queríamos assustar os leitores, a mudança deve acontecer aos poucos. Até a Marvel tentou o formato Widescreen nas revistas impressas do X-Men, lançada aqui pela Panini e o pessoal até que aprovou o visual das páginas.
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E.Martins - E.Martins
Cheguei até a desenhar (há muito tempo atrás) a capa para a primeira edição do (æ) em Widescreen. Mas vimos então que as capas na vertical seria uma forma mais familiar de apresentar as edições ao leitor.
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Ao navegar no Site do (æ)! comics percebe-se uma quantidade razoável de informações em inglês, inclusive no trailer, que quase não há informações em português. Isso não deixa o site com um ar americanizado? É essa a intenção?

C.George - C.George
Globalização. Se nós muitas vezes temos acesso apenas a quadrinhos americanos, por que não o inverso? Com a internet isso é possível. Além do mais, a maioria dois leitores americanos desconhece totalmente os quadrinhos brasileiros. E no contra ponto o Brasil é extremamente influenciado pela cultura dos EUA, como os filmes, música, comics, etc. Ela está em toda parte. Então vamos tentar dividir um pouco da nossa.
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E.Martins - E.Martins
Ele falou tudo, não?
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Vocês pretendem lançar uma versão impressa do Absolutus Empire?

E.Martins - E.Martins
Não posso dizer que não. Ainda não sabemos quais os resultados do (æ) para Web, e o que isso irá representar. Só sei que para lançarmos uma versão para banca, as revistas teriam que sofrer modificações, como ter menos páginas por edição, não ter animações e só o primeiro arco de histórias (as primeiras quatro edições) se tornaria em umas sete edições já que cada uma delas contém trinta e quatro páginas. Mesmo que chegasse a ser lançada, seria um trabalho diferente da edição para web em diversos aspectos.
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C.George - C.George
Vai depender da demanda do mercado editorial. Mas espero que sim. Infelizmente não é todo mundo que esta conectado com o mundo virtual. A maioria ainda mal tem caderno para ir a escola, e o que dizer de micro computadores.
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O universo Absolutus Empire

Como nasceu o Absolutus Empire?

E.Martins - E.Martins
O Absolutus Empire nasceu de um conjunto de idéias minhas e do C.George. A verdade é que quando começamos, em primeiro lugar tínhamos um sonho em comum; trabalhar com Quadrinhos. De inicio tínhamos apenas algumas metas pré-determinadas: espaço sideral como pano de fundo, e os personagens centrais com cabelos metalizados e a internet, é lógico. A partir daí muitas idéias foram surgindo e quando um surgia com uma idéia genial ela automaticamente era incorporada a trama. A maioria das idéias que um tinha era melhorada pelo outro e vice versa. Uma delas, a de incorporar a linguagem em latim em muita coisa da história, foi uma grande idéia. E o latim passou a ser então, um dos componentes da revista. Ali nascia o Absolutus Empire. O tempo todo pensávamos em novas idéias para a trama. E com isso fomos aos poucos criando um universo cada vez mais sólido. O AE não é uma história de super-heróis, nada contra os super-heróis, gostamos muito do gênero (é o nosso preferido), mas sendo um trabalho autoral, sem qualquer limitação ou um padrão a seguir, percebemos que tínhamos em mãos uma oportunidade de fazermos algo diferente, em diversos aspectos. E foi assim que nasceu a nossa HQ.
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C.George - C.George
O mundo de Absolutus Empire que criamos, teria que fugir desse estilo de escuridão, apocalíptico, cinza, chuvoso e sem vida, o que de certo ponto já estava se tornando padrão em todos os tipos de mídia. Não que não goste, pois vários artistas trabalham com isso majestosamente. Mas percebemos que havia uma chance de (æ) ser diferente, um mundo ensolarado, colorido, saudável e bonito. Aparentemente sem problemas. Um mundo novo que poderia ser explorado de várias maneiras, situações e segredos de um mundo perfeito. E se tornou muito estimulante para nós pensarmos em um mundo dessa maneira diferente. Não acho que ficaríamos sentados em torno de uma fogueira feita dentro de uma TV quebrada ou se matando em rachas com carros-sucatas com roupas que parecem durar décadas. Bom, como dissemos no começo da entrevista, depois de conversarmos e de fazermos uma rápida pesquisa na internet, resolvemos então montar uma editora com uma HQ on line. Pois a internet promove uma revolução ao poder de acesso que nenhuma outra editora jamais daria atenção. Mas teria que ser uma história diferente de super-heróis, mais humano e menos altruísta, que não precisaria salvar o mundo e nem ser infalível para ser legal, pois existe muitas formas de contar uma história. Teria que passar do fatídico Nº.#01, nada de míni-série ou especiais, por isso criamos a editora. E usaríamos itens para homenagear vários artistas do ramo de quadrinhos, como vocês poderão ver ao longo das histórias. Quisemos também fazer algo despretensioso e de leitura agradável, mas sem largar mão das tramas e segredos, pois mesclará temas atuais que afligem muitas pessoas, tais como desemprego, grana, interesses, relacionamentos passionais, lições de vida e humor (é claro). Se tivemos sucesso, só vocês, leitores, é que poderão dizer.
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Que ponto alto, presente no Absolutus Empire, vocês acham que mais irá despertar o interesse no internauta?

E.Martins - E.Martins
Pode ser que seja as animações em oculto presentes em quase todas as páginas. Mas gostaria que eles prestassem atenção no significado do Absolutus Empire.
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C.George - C.George
Para o internauta, as animações e a interatividade. Para o leitor talvez o conflito familiar, o perfeito que às vezes não tem muita graça, a luta pelo poder. E a arte e a colorização de E.Martins, que sem dúvidas conseguiu desenvolver o seu próprio estilo, sem se deixar levar por outros desenhistas.
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Quais são as etapas de produção do AE? Qual o tempo necessário para a produção de uma página?

E.Martins - E.Martins
Depois de já termos discutido as idéias que irão fazer parte da história e do roteiro estar finalizado, eu ou o C.George elaboramos um esboço da página. O esboço deverá conter a posição dos balões (se possível já com os textos escritos a lápis, para melhor compreensão das expressões dos personagens), e a quantidade de quadros que deverá ser empregada na página. Muitas das vezes surgem idéias no momento em que começo a desenhar as páginas. Quanto a tempo de produção; São quatro horas para desenhar uma página, duas horas para finalizá-la em nanquim, e umas cinco horas para colorização. Depois o C.George vem com as animações em flash, letras, marca d’água, navegador que acaba consumindo mais algumas horas e por fim a publicação na Web sob uma estrutura em ASP.
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C.George - C.George
Como ele falou, uma coisa bem simples, não é! (ufa!).
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Muito obrigado pela entrevista. Alguma palavra final aos nossos leitores? Que tipo de mensagem ou dica vocês gostariam de deixar aos quadrinistas e aos críticos de quadrinhos sobre o trabalho de vocês?

E.Martins - E.Martins
Primeiro eu gostaria de agradecer ao leitor que disponibilizou um pouco de seu tempo para a leitura desta entrevista. Antes de tudo, quadrinhos é uma forma de arte, de expressão. Pra quem quer entender os quadrinhos de dentro pra fora, como forma de arte, recomendo a leitura do livro Desvendando os Quadrinhos, de Scott Maccloud. O livro não te ensina como escrever um roteiro ou como desenhar uma cena em perspectiva, mas mostra o que significa realmente as palavras Historia em Quadrinhos, e é indispensável pra quem sonha em trabalhar com quadrinhos. Pra quem está disposto lançar um trabalho na Web, vale a pena ler o livro Reinventando Quadrinhos também de Scott Maccloud. Além da metade do livro ser dedicado aos quadrinhos de forma geral, ele vem com muita informação e uma visão ampla dos Digitais Web Comics. Agora, se você quer aprender as técnicas e macetes dos desenhos e roteiros para quadrinhos mas não está a fim de freqüentar um cursinho, entre os mais recentes livros lançados, vale cada centavo a compra das edições Guia DC - Desenhos e Guia DC - Roteiros. Os dois se completam e mostra a forma de como os grandes Roteiristas e Desenhistas trabalham e que tipo de materiais eles usam. Mas lembrem-se, há muito mais livros (Como os do Will Eisner, por exemplo) e outras opções (ler Quadrinhos é o principal delas) e tudo que você puder ler não é o bastante, pois o mundo dos quadrinhos é sempre muito mais do que podemos definir. Quanto aos críticos, gostaria de salientar antes de tudo, que este é o nosso primeiro trabalho no ramo e que apesar de já estarmos trabalhando com o Absolutus Empire há cinco anos e meio, somente no inicio deste ano (2006) foi possível viabilizar seu lançamento devido a uma infinidade de burocracias que envolvem quase tudo quanto é setor neste país. Eu penso que para as pessoas levarem o seu trabalho a sério, primeiro você tem que levar tudo a sério. Por isso que além de realizarmos esse trabalho fizemos todos os procedimentos necessário para podermos tocar o negócio pra frente. E isso incluiu montar uma empresa editora on line. Nesses quase seis anos que estivemos com o trabalho em andamento, muita coisa foi criada e temos material suficiente para a produção de inúmeras HQs. Mas tudo depende dos resultados apresentados pelo Absolutus Empire. O (æ) comics já deixou disponível no site os dois primeiros capítulos, num total de sessenta e duas páginas com animações em quase todas, totalmente gratuitas para que o leitor possa analisar o novo formato de leitura.
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C.George - C.George
Agradeço a todos que possam ter lido a entrevista até este ponto. Para quem lê quadrinhos: ainda tem bons quadrinhos sendo publicados em banca e na internet, é claro! E se não poder ler tudo, leia tudo que poder. Pra quem quer produzir quadrinhos: se você pretende escrever roteiros para (boas) histórias em quadrinhos, leia, leia, releia muito, de tudo, sobre tudo e de todos os estilos. Leia jornais e revistas e livros. E principalmente observe o mundo à sua volta (o mundo a sua volta é uma verdadeira fonte de idéias. Idéias mirabolantes às vezes). Você verá que o dia a dia corriqueiro de pessoas pode gerar grandes histórias. Muita dedicação e muito treino! Como em qualquer profissão é preciso batalhar muito! Nada cai do céu e nada vem à toa! Vão te desprezar, vão te dar paulada, pedrada. Irão esconder o jogo, e as regras. Mas se você quer realmente fazer quadrinhos, não ceda! Faça! Quanto ao modelo que você for escolher, não esquente. Quando a trama é bem escrita, qualquer modelo serve para o leitor. Qualquer um mesmo. Pra quem não lê quadrinhos: o cinema é um dos maiores entretenimentos que existe, mas muitos desses filmes que vocês viram ou irão ver, surgiram dos quadrinhos e não só quadrinhos de super-heróis.
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C.George - C.George
Agradecemos ao jornal The New Barks Times por essa matéria sobre o (æ) comics entertainment. É sempre bom contar com pessoas que apóiam e nos ajudam a divulgar esta fantástica arte, creio que todos nós esperamos um dia possuir um mercado maior de quadrinhos, que mais pessoas descubram este grande meio de comunicação, que mais pessoas despertem a vontade de expressar suas idéias. E se alguém encontrou a minha HQ com capa de cartolina amarela, gostaria muito de reavê-la.
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