“Conhecendo a Gente (æ)!”

C.George - C.George
Hoje colocaremos para vocês as respostas de nossa entrevista para o jornal Folha de São Paulo para acabar com uma polêmica gerada pela mesma, pois por falta de espaço talvez, o meu comentário sobre o futuro dos quadrinhos acabou saindo de um jeito que pareceu que o futuro deles seria sua própria extinção. Como!? Logo eu, fã absoluto de quadrinhos, imagina. A extinção seria a de ser impressa no papel. Nisso eu sou realmente radical. Alguns não concordarão comigo (a maioria), mas não tem volta, veja um exemplo: “Eu nunca vou trocar a minha coleção de LPS por essas tais Fitas Cassetes”; ” Eu nunca vou trocar a minha coleção de Fitas Cassetes por esses tais CDs”; ” Eu nunca vou trocar a minha coleção de CDs por esses tais MP3″; ” Eu nunca vou…, e vai por (æ)!
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-Quem são os criadores da revista “Absolutus Empire”?

Balao EM - Balao EM
E. Martins
Nome Verdadeiro: Elias Paulo Martins
Ocupação: Desenhista e Argumentista da Editora “ae comics entertainment”
Local de Nascimento: Boituva-SP
Data de Nascimento: 25 de Janeiro de 1978
Site na internet: www.aecomics.com.br
Trabalha com Quadrinhos Digitais: Desde 2000.
Primeira Aparição nos Quadrinhos: Absolutus Empire 01 em Janeiro de 2005.
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C.George - C.George
C. George
Nome Verdadeiro: Cláudio George Vivian
Ocupação: Roteirista e Argumentista da Editora “ae comics entertainment”
Local de Nascimento: Campinas-SP
Data de Nascimento: 21 de Janeiro 1972
Site na internet: www.aecomics.com.br
Trabalha com Quadrinhos Digitais: Desde 2000.
Primeira Aparição nos Quadrinhos: Absolutus Empire 01 em Janeiro de 2005.
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- Vocês são responsáveis por todos os quadrinhos do site? Podem me explicar um pouco como funciona o processo de criação de vocês de HQs para a internet? O processo é diferente de criar no papel? Como?

Balao EM - Balao EM
Sim, todas as historias presentes no site foram criadas, escritas e produzidas por nós (Eu e o C.George). Bem, tudo começa com um conjunto de idéias, um argumento pra aquela determinada edição da revista. Após termos um roteiro bem consistente é que então começo elaborar os layouts das paginas. As vezes quando tem um trecho que o C.George já imaginou a cena então ele mesmo faz o layout e na hora de desenhar procuro seguir conforme era a idéia original dele e vice versa. No processo dos desenhos nós procuramos desde o inicio utilizar do processo convencional na produção de nossa Webcomic. Quando começamos a planejar o site ae comics bem como a nossa Web comic Absolutus Empire tínhamos um leque imenso de possibilidades que poderíamos utilizar na produção de nossa HQ. Havia diversos formatos que poderíamos criar e inúmeros tipos de traços que poderíamos adaptar como desenhar direto no Computador por exemplo. Mas não queríamos deixar de lado o formato padrão de produção e por isso resolvemos mesclar o formato de produção convencional com a tecnologia e a interatividade que a internet vinha a nos oferecer. O processo é assim, primeiro desenho as paginas na mão mesmo, utilizando os lápis e tintas nankin convencionais e depois após escanear as paginas vem a etapa da colorização que é feito no computador com o auxilio de uma mesa digitalizadora. Após a colorização é que acontece a transformação de nossa HQ para uma HQ Digital. Nós utilizamos um software de animação onde é feita as etapas de letreiramento, os balões redimensionáveis, e as animações e sons que é inserido conforme estava especificado na idéia original do script. Após todo o processo é que publicamos no site. Webmaster (que desenvolve o formato das páginas no site), flasher (aquele que trabalha com animações em flash).
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- Além de ter facilitado o processo de publicação e distribuição, em que outras frentes a internet modificou a produção de HQs?

C.George - C.George
Hoje já se pode trabalhar sem o papel, lápis e nanquim. Certamente isso influencia no custo e benefícios da produção, pois os quadrinhos digitais interativos são, a meu ver, uma boa surpresa, já que não apenas economiza dinheiro para os criadores (com a criação de HQs a partir de ferramentas digitais) e mantendo uma interface muito próxima das HQs impressas mas com a vantagem de agregar recursos áudios visuais, mas por alcançar uma audiência direta e precisa sem necessitar dos canais comuns de distribuição e de revenda (difusão digital). E na própria edição de uma HQ impressa à internet assumiu como uma ferramenta de um centro de distribuição de vários artistas com sua editora, hoje o desenhista pode morar no Brasil, o escritor na Escócia, o arte finalista no Japão e a gráfica na África. E os próprios desenhistas famosos acabaram além de montar o seu portfólio online, construindo suas próprias historias que talvez nem aparecessem na editora que trabalham. E a internet vai além de conectar pessoas e de ser apenas outro meio de divulgar novos projetos. Nela nascem novas experiências, mais ricas do que escanear o seu desenho e mandá-lo para um blog. Vários artistas estão conseguindo, já saindo das limitações do papel, criar novos e até ousados formatos diferentes de leitura, promovendo assim uma válida mutação de linguagem.
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Balao EM - Balao EM
Uma das características mais empolgante certamente é a interatividade. E o que mudou na criação desses quadrinhos foi o acarretamento de mais etapas de produção trazendo para ela outros tipos de profissionais, como citado anteriormente
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- Quais são as principais diferenças entre HQ impressa e as feitas para a internet?

C.George - C.George
Em relação a nossa Digital Interactive Comics, (Dic) podemos fazer referência a alguns aspectos tais como:

a) Em determinados quadrinhos, substituímos a onomatopéia pelo próprio som de uma cena, tipo um tiro, carro derrapando, jato voando, uma explosão, etc.

b) Em outros quadrinhos criamos animações baseadas nos traços do desenhista como um carro sendo arremessado, o dia passando para a noite, um pássaro voando.

c) Utilizamos melhor o espaço no formato widescreen dos monitores que já é uma tendência na elaboração dos balões, que aumentam de tamanho e somem durante as animações deixando as páginas mais limpas. Traduções no exato momento da leitura das palavras em latim utilizada pelos personagens (uma homenagem à nossa língua portuguesa, a qual, afinal descende do latim).

d) Trabalhamos com várias cenas em perspectiva criando assim uma sensação de espaço e profundidade.

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Balao EM - Balao EM
e) Mobilidade? Não posso ler minha revista preferida no banheiro ou na varanda? No momento ainda não, mas já estão sendo criados os papéis digitais, celulares com visores maiores, portáteis com hds melhores e menores. Sem falar do deslocamento físico desnecessário até o ponto de venda para comprar uma de nossas edições, a venda também é feita pela internet.

f) Distribuição. No exato momento que lançamos uma edição, não somente os leitores de nossa cidade, nosso estado, nosso país, tem a oportunidade de acessar nossa revista como temos outros países que falam a língua portuguesa, sem falar dos brasileiros que moram no exterior. Uma mesma edição do Absolutus Empire pode ser vista ao mesmo tempo aqui no Brasil e no Japão. E a globalização se completará quando lançarmos edições nos idiomas Inglês e Espanhol.

g) Sem falar da Interatividade que conseguimos com os leitores através de chats, fórum, perfis dos criadores em várias comunidades nacionais e internacionais, fatos e novidades no blog da própria editora, emails, é a internet aproximando as pessoas. Possibilidade de correções de erros em algumas edições logo que o leitor nos comunicar, coisa que numa revista impressa isso seria impossível de se resolver numa mesma edição, no mais um aviso de correção numa edição posterior. Não esquecendo que para o leitor ter tudo isso acima citado ele tem que interagir tanto com as paginas tanto com o nosso site.
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- Você pode citar alguns exemplos de quadrinistas (além de vocês) que produzam somente para a internet no Brasil e no mundo? Eles podem ser considerados tão -ou talvez até mais- pop do que os das versões impressas?

C.George - C.George
Com certeza e não são poucas, vamos lá:

A Editora Top Shelf do excelente Lost Girls, Do Inferno e dos futuros volumes de A Liga Extraordinária (todas de Alan Moore), contém o site de webcomics, o Top Shelf 2.0.

A Editora DC Comics de Superman e Batman tem o Zudacomics, onde o cartunista brasileiro Francisco Alexandre de Freitas Alves publicou The Passenger, conhecido como Falex criador da webcomics “O Rato do Prédio”

A Editora Marvel Comics de Homem Aranha e Capitão América têm o Marvel Digital Comics Unlimited com acervo de diversas de suas publicaçoes impressas e recoloridas digitalmente para sua exibição pela internet, sendo algumas edições gratuitas e as outras fechadas em um pacote de assinatura mensal ou anual.

Brigada Ônix” de Victor Hugo Carballo.

Comborangers” de Fabio Yabu. Sua mais conhecida série de webcomics publicada primeiro na web através do Universo Online, e que em 2001, virou revista em quadrinhos, publicadas pelas editoras JBC e Panini.

Moving Pictures” de Stuart e Kathryn Immonen onde a editora, Top Shelf publicará em 2009 a sua webcomic. Stuart Immonen para quem não o conhecem, foi desenhista de Nextwave e Ultimate X-Men, e está atualmente desenhando Ultimate Spider-Man. Kathryn Immonen fez os roteiros de Patsy Walker - Hellcat.

HQnado” de Alessandro Scrignolli e Marcos Gratão.

Várias webcomics dos artistas e escritores que formam o grupo The Chemistry Set.

Da série televisiva Heroes da NBC surge entre uma temporada e outra uma coleção de webcomics com todos os personagens da série, sendo que algumas delas já saíram impressas aqui no Brasil.

The Right Number” a que eu mais gosto pela elaboração de gráficos em três dimensões, onde o autor abandonou definitivamente a base papel e adotou a tela do computador, o mouse, as canetas digitais e os softwares gráficos como seus novos instrumentos de trabalho. Falo do não menos famoso artista e teórico dos quadrinhos Scott McCloud. Por seu trabalho com livros sobre quadrinhos, se tornou um colecionador de prêmios Eisner e Harvey, os dois mais importantes do mercado norte-americano. No Brasil, também já ganhou um HQ Mix, de Melhor Livro Teórico, em 1995. Sendo que um dele é justamente sobre os quadrinhos e sua distribuição na internet. Suas obras foram traduzidas para 14 idiomas de quadrinhos com três livros publicados no Brasil.

Argon Zark”, de Charley Parker, entre muitos.

Exploradores do Desconhecido” uma tira de ficção-científica, escrita por Gian Danton e desenhada por Jean Okada.

Não se esquecendo da nossa revista “Absolutus Empire” de C.George e E. Martins: Trata-se de uma HQ destinada especificamente para os leitores, que já nasceram nesta geração de crianças, adolescentes e também adultos, que tem outros hábitos de leitura, e já se acostumou a acessar conteúdo online, incluindo quadrinhos, sob a forma digital. O projeto que foi idealizado para a internet, tem todas as páginas produzidas em modo tradicional e finalizado no formato Flash, em widescreen (na horizontal) tornando assim mais agradável para a leitura na tela do monitor, para levar até você um trabalho prático e com ótimos recursos de navegação, visualização, leitura e principalmente interatividade.
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- Há algum prêmio para quadrinhos da internet (sei que foram incluídos no Eisner de 2005, mas há algum específico?)?

Balao EM - Balao EM
O prêmio “Best Online Comics Work” da Harvey Award desde 2005;

O prêmio “Best Digital Comic” da Eisner Awards desde 2005, onde em 2008 o brasileiro Fabio Moon (desenhos) ganhou pela HQ online Sugarshock! (escrita por Joss Whedon para a Dark Horse Presents);

O prêmio “Web Quadrinhos” do HQMIX (Brasil) desde 2008, antes como “Site de quadrinhos”;

E quem sabe em breve no Prêmio Ângelo Agostini. (Brasil)
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- E para finalizar, qual a sua opinião sobre os rumos da HQ na internet?

C.George - C.George
Sou radical nesse assunto. A questão de como se adaptarão à Internet, em minha opinião, decidirá a função dos quadrinhos (e até sua própria existência) na próxima década. O digital está aí (æ)! E pode ser usado tanto para o bem ou para o mal (os rolos dos filmes fotográficos, as fitas cassetes, os discos de vinil e o CDS que o digam). Pois é inegável que seus elementos característicos (a narrativa visual, os balões e o grafismo sintético, as cores e principalmente a interatividade) produzidos por um computador valorizam os desenhos e acrescentam ainda mais dinamismo às seqüências de uma história em quadrinhos. Sem falar nos papéis digitais. Creio eu ainda, que o leitor no futuro (não muito distante), por conta da própria linguagem eletrônica, e por se sentirem mais próximo dos protagonistas das histórias (como dito anteriormente) se tornarão cúmplices dos autores e criarão um produto em conjunto (Muitas cabeças pensam melhores do que uma). Mas tudo isso vai depender da demanda do mercado editorial digital. Pois infelizmente não é todo mundo que está conectado com o mundo virtual (digital), a maioria ainda mal tem caderno para ir à escola, e o que dizer de micro computadores.
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Balao EM - Balao EM
Acho que os quadrinhos digitais irão ganhar o seu espaço de acordo como as editoras forem abrindo espaço para eles. São inevitáveis, os quadrinhos irão aos celulares e haverá inúmeras formas de se fazer e ler quadrinhos. Haverá formas diferentes de navegar entre um quadro e outro. Bem como os tipos diferentes de se contar uma historia tambem. Como diziam os franceses em 1422: “Le Roi Est Mort, Vive Le Roi!” hoje eu digo: “Os Quadrinhos Morreram, vida longa aos Quadrinhos”
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2 respostas para “ “Conhecendo a Gente (æ)!” ”

  1. Victor Hugo disse:

    Valeu por mencionarem a Brigada Ônix :) fico lisonjeado! E boa sorte com o trabalho de vocês!

  2. Editora (æ)! comics entertainment disse:

    Nós é que agradecemos o seu comentário! É isso (ae)!

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